Depois de quatro cortes consecutivos, a Selic recuou de 15% para 14% ao ano. O ciclo de queda começou, mas isso não significa que os juros deixarão de ser elevados — nem que o investidor deva mudar sua carteira de forma apressada.
Segundo o Relatório Focus de 14 de agosto, o mercado projeta a Selic em 13,75% no final de 2026 e em 12% no final de 2027. Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação permanecem acima do centro da meta: 5,02% para 2026 e 4,24% para 2027.
O cenário, portanto, ainda combina cortes graduais, inflação pressionada e juros reais elevados.
O pós-fixado continua importante
Mesmo com o início dos cortes, aplicações ligadas à Selic e ao CDI continuam oferecendo remuneração relevante e cumprem um papel importante nas reservas de liquidez e nos objetivos de curto prazo.
Um dos erros possíveis neste momento é interpretar o início do ciclo como um sinal para abandonar rapidamente o pós-fixado.
Com a Selic ainda em 14%, essa parcela continua sendo uma fonte importante de retorno, liquidez e estabilidade para a carteira.
Onde pode estar a oportunidade?
Ao mesmo tempo, títulos prefixados e indexados à inflação podem permitir que o investidor contrate taxas elevadas por prazos mais longos.
O Tesouro IPCA+, por exemplo, combina a variação da inflação com uma taxa de juros real definida no momento da compra. Quando o prazo do título está alinhado ao objetivo do investidor, essa pode ser uma alternativa para buscar proteção do poder de compra e maior previsibilidade no longo prazo.
Também existe potencial de valorização caso os juros de mercado recuem. Mas o movimento contrário é possível: se as taxas longas subirem, o preço desses títulos pode cair no curto prazo.
Por isso, prazo, liquidez e tolerância à marcação a mercado precisam ser considerados antes de qualquer decisão.
Selic menor não significa juros longos menores
A Selic é definida pelo Banco Central, mas as taxas dos títulos de prazo mais longo também refletem expectativas de inflação, situação fiscal e percepção de risco.
Isso significa que o Copom pode continuar reduzindo a Selic enquanto os juros longos permanecem elevados — ou até voltam a subir.
A estratégia de investimentos, portanto, não deve depender apenas da direção da taxa básica.
O ponto é ajustar a composição da carteira
Mais importante do que tentar antecipar cada decisão do Banco Central é avaliar como combinar diferentes instrumentos de acordo com os objetivos do investidor:
- Liquidez para compromissos e necessidades de curto prazo;
- Pós-fixados enquanto a Selic permanece elevada;
- Taxas reais contratadas para objetivos de longo prazo;
- Diversificação entre diferentes classes, emissores e indexadores.
Não existe uma composição ideal para todos os investidores. A estratégia depende do prazo, perfil de risco, liquidez necessária e objetivos de cada patrimônio.
O cenário mudou. Sua carteira acompanhou?
A queda da Selic pode abrir novas possibilidades, mas também exige uma avaliação cuidadosa das decisões já tomadas.
Na Jobin Investimentos, analisamos o patrimônio de forma integrada para identificar quais taxas ainda fazem sentido contratar, quanto manter em liquidez e como preparar a carteira para diferentes cenários do próximo ciclo.
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